quarta-feira, 17 de junho de 2009

Desconhecido

Você não me conhece mais.
Tenho de gritar,
pois você está surda
e não me quer conhecer,
não quer me reconhecer.
A tua sedução me escravizava.
Estava preso a ti
pelo que você criou
e não pelo que és.
O que tu és,
se perdeu no tempo.
E quanto mais eu gritava
tentando me fazer ouvir,
mais a distância aumentava entre nós.
Não sei mais quem eu sou,
e todos te conhecem.
E vivendo destas aparências
íamos pela vida nossa,
sobrevivendo no limite
de nossos corações.
Entre eu e você,
existia um vazio
preenchido com nossas aparências.
Haviam os erros,
e nos acusávamos mutuamente,
e nada fazíamos.
Me vestia de palavras,
que escondido escrevia,
derramando minhas ânsias no papel
para que outros olhos as vissem.
Vivia nos meus sonhos,
achando que um dia
tudo mudaria.
O mundo não mudou.
Você não mudou.
Eu não mudei,
e por não mudar emudeci
aos teus ouvidos.
E por não mudar
tornei-me cego
aos teus olhos.
E por não mudar
tornei-me mudo
das minhas palavras
a ti.

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