A casa está nua.
As fotos,
estão espalhadas pelos cantos,
as lembranças empacotadas,
e bem amarradas
para não se mostrarem.
As mágoas não,
estas estão ali,
a mostra,
nos perguntando
se já sabemos
o que deveremos fazer
com elas.
Levamos ou as deixamos no chão?
Só resta agora
continuar o processo.
Nada nos move deste objetivo.
Separamos o que é de cada um,
as vezes com certos exageros,
levamos só por levar,
como troféu de uma vingança,
infantil ou adulta.
Mas a casa nua nos mostra,
na realidade,
como nós ficamos,
ou ficaremos,
no final deste processo,
nus, de tudo.
Data Poema de Sophia de Mello Breyner Andressen
Há 15 horas
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