domingo, 15 de março de 2009

Vida minha

Choro o que não se chora.
Guardo o que não se pode guardar.
Meus segredos guardo nos olhos meus.
Em meu rosto tenho desenhado o mistério.
Como um condenado, logo vou ao cadafalso.
Quero seguir sem tormentas.
Sem perguntas, sem respostas.
Que nada mais haja
entre as estrelas e o infinito,
entre o vento e o pó.
Passei por esta vida
buscando minha busca.
Vi nuvens flutuando no céu
Vi flores embelezando os campos verdejantes
Vi rios e lagos plácidos a me contemplarem.
Vi angústias de amores perdidos.
Vi emoções de amores encontrados.
Vi o vento levantar poeira.
Vi a chuva mantê-la baixa.
Vi a vida passar.
Passei por caminhos estranhos.
Tive encontros Divinos.
Agasalhei e fui agasalhado.
Dei meu coração algumas vezes
e tomei alguns emprestado.
Dormi o sono justo
e também o sono tumultuado.
Me perdi em solidões.
Me encontrei em aconchegos.
Garimpei onde só havia cascalho
e algumas pepitas encontrei.
Plantei flores no deserto,
destruí alguns jardins.
Vivi de esperanças,
de dores, de amores, de dores de amores.
Conversei com doçura,
escutei com ternura.
Vi os comuns tornarem-se especiais.
De quase tudo falei e um pouco mais escutei.
Venci uma luta e fui festejado, com glórias,
mas minha espada estava suja de sangue.

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