sábado, 15 de agosto de 2009

Voltando

Viajo por uma estrada, tortuosa, voltando de mais uma aventura. Olhando, encantado como criança, pela janela as paisagens que passam rápido, rápido demais para se guardar algum detalhe.
Vejo montanhas e mais montanhas, a maioria cortadas nas suas encostas por pequenas estradas feitas pelo homem para contorná-las, e que ficam, no corpo da montanha, como cicatriz, marcas deixadas pelo homem e o seu progresso.
Pequenas casas, simples, uma ao lado da outra formam uma vila, todas com antenas parabólicas no teto.
Parecem bocas famintas apontadas para o céu, como se buscassem alimento nas informações que chegam pelo ar.
Ao lado da estrada corre um rio tão sinuoso quanto a estrada, ora violento, ora mais calmo. As suas margens, vez por outra, surge um bambuzal a ser curvar sobre o rio, como se fizesse uma referência, um cumprimento ao rio, viajante ligeiro.
Fecho meus olhos para te ver melhor nesta estrada sinuosa que corta montanhas e vales, me levando de volta de um lugar também cercado de montanhas.
As casinhas se alternam, umas maiores, outras menores, indicando um poder aquisitivo diferente e não uma maior felicidade.
Crianças a beira da estrada acenam para os passantes, distribuindo alegrias e felicitações a quem quiser, pena que a janela está lacrada e não pude um pouco destes votos pegar, o ar-condicionado é mais importante.
Árvores floridas, só de longe, cheiro de mato nem pensar, isto fica lá fora, bem lá fora.
Acho que estou ficando velho, estas coisas começam a me incomodar.
Por quê não posso abrir a janela e sentir o vento fresco no rosto, como o cachorro que passa no carro ao lado esbanjando felicidade de ter este simples prazer.
O sol começa a se pôr, por detrás das altas montanhas, colorindo de um amarelo-avermelhado partes do céu.
Preguiçosamente o vejo ir embora e um azul acinzentado se derruba sobre a paisagem. Tudo parece parado lá fora.
Algumas estrelas se fazem surgir indicando o início da noite, a solidão se faz presente. Vejo no resquício da luz uma pequena cachoeira, perdida no meio da mata, águas rolam, como se fossem lágrimas rolando do alto da poderosa montanha. Choras porquê? Tenho vontade de perguntar, será que é pelo motivo que eu?
Algumas nuvens mais baixas aparecem, enlaçando o alto das montanhas como se fossem cachecóis, um cachecol que esfria e não que aquece.
A noite agora se faz completa, nada mais vejo lá fora a não ser uma outra luz pequenina, perdida no meio da mata cerrada indicando que ali há vida, me mostrando que por mais escuro que seja seu horizonte, se você olhar bem haverá uma luz, mesmo ao longe, basta caminhar em sua direção.
Chego finalmente a cidade grande, tudo é tão diferente, barulho demais, o ar não tem cheiro de ar, quero logo , logo, pegar a estrada novamente.

Um comentário:

Boechat disse...

A estrada que te leva ao paraíso se encontra logo a sua frente...e a distância é muito pequena, portanto não tenha medo de cruzá-la sempre que seu coração não puder mais suportar!