Sentia-me como a um morto
Minha alma foi se despetalando
de todos os meus sentimentos,
que tinha por ti.
Eles foram caindo,
e sendo pisados
pelo chão por onde passavas.
Jazia um corpo sem alma,
Andava uma alma sem corpo.
A fragilidade da dor
se fazia perene.
É preciso recomeçar.
É preciso ter coragem
para tal.
Tateio hoje em minha vida,
Cego ou em total escuridão
me encontro.
Sinto minha alma
se indo em um breve durar
de momento.
Minha alma
é como fino cristal,
quebra-se
a qualquer toque mais forte.
Ela está rachada,
há de se ter muito cuidado, agora,
para que não se quebre de vez.
Data Poema de Sophia de Mello Breyner Andressen
Há 15 horas
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