domingo, 17 de agosto de 2008

Uma história

Diz uma lenda que existia uma família que era assim composta, o Amor era casado com a Paixão, e tinham três filhos: a Esperança, o Futuro e a Solidão.
O Amor era forte, dominador, um empreendedor nato que fazia de tudo para agradar sua esposa.
Sua esposa, a Paixão, era mais doce, delicada, capaz de aguardar horas a fio para receber um simples olhar do seu Amor.
Sua filha, a Esperança, era a mais velha, dona de um arrebatador instinto de lealdade, a Esperança fazia de tudo para agradar ao Amor e a Paixão, pois queria que eles estivessem sempre juntos, para sempre, pois sabia que sem eles ela não existiria.
O seu filho do meio, o Futuro, era muito inseguro, não sabia ao certo nunca o que ia acontecer e para tomar suas decisões dependia sempre do que o Amor e a Paixão decidissem. Estava sempre disposto a mudar tudo só para agradar a ambos, pois também sabia que sem eles não existiria.
E por fim, a Solidão, a filha mais nova, independente, dominadora, incoerente, individualista, pronta para brigar com seus pais e irmãos, pois não gostava deles de maneira nenhuma, achava suas maneiras de viver algo ultrapassado, achava que deveriam ser mais individualistas e menos sonhadores, para ela, Amor, Paixão, Esperança e Futuro deveriam viver em um museu já que só viviam de fantasias, e que seus nomes deveriam ser trocados por Passado, Lembranças, Recordações e Bons Momentos.
Um dia o Amor contraiu uma doença gravíssima, a Incompreensão, agravada com crises de Preconceito e Mágoa. Por mais que lutasse contra a Incompreensão, era uma luta solitária, por mais que tentasse provar que era mais forte, não resistiu e morreu.
Foi um desespero, todos sofreram muito. Mas, a Paixão sabia que deveria continuar sobrevivendo, pois a Esperança, o Futuro e até a Solidão dependiam dela. Ocorre que o tempo é impiedoso e com a morte do Amor, a Paixão também foi morrendo, definhando, só vivia de recordações e não encontrava mais uma razão para viver e foi se acabando aos poucos.
Seus filhos a Esperança e o Futuro, que eram muito ligados ao Amor e a Paixão, também estavam morrendo.
A Esperança vendo o que acontecia e sem nada poder fazer resolveu ir embora, não queria morrer também.
O Futuro vendo-se só com a Solidão não sabia mais o que fazer que rumo tomar, suas atitudes passaram a ser incertas.
Somente as filha mais nova, a Solidão, continuou como se nada tivesse acontecido e foi crescendo com o passar do tempo, foi ficando cada vez maior e dominadora.
A Solidão, depois da morte do Amor e da Paixão, viu a Esperança ir embora e o Futuro ficar incerto.
Passou então a tomar conta de tudo.
Se o Amor não tivesse morrido, esta história seria outra.

Um comentário:

Thainá disse...

Seeeeeeeeeeeeeeeeeeensacional!