segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O Jardim

Hoje estava olhando para o meu jardim, a muito tempo não parava para olhá-lo com atenção.
Tinha em meus pensamentos um jardim belo, florido, encantador.
Esta imagem estava fixa e não olhava para ele com atenção, passava por ele e achava que tudo estava bem.
Hoje parei para olhá-lo com atenção, e fixei-me a alguns detalhes, pois a todos é impossível de fazê-lo.
Pude então ver o quanto a terra esta secando a cada dia, pude então olhar as flores murchando, perdendo todo o brilho e cor, pude ver as plantas minguando por falta de tratamento.
Os pássaros, mensageiros das coisas boas, não mais pousavam para cantar.
As sementes não estavam germinando para dar novas plantas, quase tudo estava perdido.
Gritei: -“Onde está o jardineiro, que está deixando meu jardim morrer!“
Então apareceu uma pessoa que disse: - “Isto é da vida. Faz parte de uma passagem. É um ciclo. Temos que aprender a conviver com isto. Vamos deixar assim. Pior se toda a terra estivesse seca, ai nada mais nasceria.”
Não me conformo.
Tento então, do meu jeito, mexer na terra tentando reavivar as plantas, mas não sei como fazê-lo. E vejo meu jardim ir morrendo, aos poucos, lentamente.
Se for para matar, que se passe com um trator em cima e destrua logo tudo, de uma só vez.
A dor é grande mais é uma só.
Mais uma vez escuto do jardineiro.
-Também não é assim. Não quero acabar com o jardim, quero deixar a terra em condições de poder, quando eu quiser, plantar uma mudinha ou outra, deixá-la crescer um pouquinho e ficar aparando as raízes para que ele não cresça muito. Tipo bonsai, sabe, uma planta completa, mas anã. Que fique ali escondidinha no meio das outras, que ninguém a veja, só eu e você. Que só a mim e a você seja permitido cuidar desta plantinha. Que vez por outra você venha regá-la, que possa tocar em suas folhas, somente nas folhas, nas flores nunca. Que possa sentir o aroma exalado pelas flores, porém de olhos fechados, os detalhes da flor são proibidos para você.
Assim é feita a vida, de sacrifícios e resignações.
Resigno-me então a continuar olhando o jardim, assim como ele está, proibido, mas com a imagem que eu tenho, florido, belo e perfumado.
Assim sigo minha vida e o jardineiro, que cuida do meu jardim, vai embora cuidar de outro jardim.

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