terça-feira, 26 de agosto de 2008

Um Cais



Eu, um cais, um porto qualquer, a receber barcos pequenos, médios e grandes.
Com suas cargas diversas, vêm e descarregam sempre alguma coisa, também levam algo de mim, mas não me importo estou aqui para dar e receber cargas pela minha vida.
Alguns dos barcos que aqui atracam são mais prazerosos de vê-los chegando.
Uns vêm devagar, com uma morosidade quase beirando a inércia.
Outros vêm velozes, chegam carregam ou descarregam e vão embora.
Uns voltam sempre, outros de vez em quando outros nunca voltam.
Há um barco, pequeno, veloz, bonito. Um veleiro branco. Singra as ondas com agilidade, às vezes ele vem e aporta. Pode ser por muito tempo ou pouco tempo, normalmente é por muito pouco tempo, mas o tempo que fica encanta aos passantes do porto.
O problema deste barco é que quando ele esta no porto, ele fica indócil, logo quer partir, mesmo querendo ficar.
Então na primeira brisa que surge ele já quer velejar de volta ao seu estaleiro, talvez achando que precise de reparos, pois aportar em outro local talvez cause danos, então ele precisa voltar para realizar uma inspeção conscienciosa.
E assim segue minha vida, estático, vendo chegar e partir barcos.
Será que algum dia terá este porto, o seu dia de barco também, de poder singrar por outros mares, leve, solto, dono do meu rumo, será?

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