sexta-feira, 10 de julho de 2009

Seca

Na clausura minha,
busco guarida em uma ilha,
perdida no oceano da vida,
longe de tudo,
longe de todos.
Em minha solidão
derramo palavras na terra
na esperança de que algumas brotem.
Desfio pensamentos
e solto-os no vento,
na ventura
de que em algum lugar
eles possam pousar.
Exponho minha alma,
Rasgo meu peito
Para que ela possa
ser mais vista.
Dispo-me por inteiro
De todas as vaidades e virtudes.
Sou madeira verde
que não pode queimar.
Sou o sal da água,
que não me deixo beber
para aplacar a sede
do viajante.
Esta terra já foi pisada
várias vezes
e encontra-se dura,
sem condição
de nova vida nascer,
nem mesmo nova chuva
irá torna-la fértil,
agora.

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