Dentro de mim
Tem um rio,
aparentemente calmo,
mas com um mar,
escondido,
caudaloso,
revoltado,
dentro deste rio.
As ondas batem
violentamente nas pedras,
aspergindo uma bruma intensa,
uma bruma muito densa,
que a tudo envolve.
Posso, até, corta-las
com uma faca
de tão espessas
que são estas brumas.
Elas me impedem
de ver além,
ao longe nada vejo.
Parado não fico,
perco tempo,
tenho de caminhar,
tateio a minha volta
e vou, devagar,
caminhando,
em frente.
Alma Perdida - Poema de Florbela Espanca
Há um dia
Nenhum comentário:
Postar um comentário