sábado, 1 de novembro de 2008

Estações e Sentimentos.

Minhas emoções ou paixões não seguem o ritmo natural da natureza, que a tudo rege.
Não, elas possuem um ritmo próprio e incontrolável, contrariando tudo que é racional.


Começam sempre como o verão, fortes, intensas, quentes em demasia.
Fazendo-me transpirar emoções por todos os poros.
Sufocando meu coração de alegrias e sentimentos.
Roubando-me o ar.
Deixando-me prostrado em meu cominho errante.
E normalmente eu me perco.


Depois elas surgem como um inverno violento.
Congelando tudo em mim, levando-me a solidão amargurante, como toda solidão o é.
Levam-me então a tremer e a temer pelo meu destino.
Jogam meus sentimentos em um mundo sem cor, aliás, sem cor não, todo branco em que nada pode ser distinguido, nada pode ser encontrado, tudo é falta de ritmo e orientação, então me perco de novo.


Depois de um longo período neste mundo, perdido de mim e tentando me encontrar, passa a surgir um outono.
Despencam as minhas emoções.
Desnudo-me de meus sentimentos.
Tudo passa a ser um pouco de ressentimento, de amargura, de frustração, de perdas e raivas.
Mas tento entender que esta etapa é necessária que fará parte de um crescimento, que é preciso perder parte de mim para que uma outra parte cresça. Que é preciso renovar.

Depois surge timidamente uma primavera.
Os sentimentos tendem a acalmar, a se consolidar, a se perpetuar.
Aos poucos vão aparecendo emoções novas, viçosas, e com força para tentar crescer fortes e prontas para todas as intempéries que possam enfrentar.
Esta fase é a fase da fortificação dos sentimentos das amarguras jogadas fora, das lágrimas serem enxutas.
É a fase em que encontro um lugar para acomodar as emoções dentro de mim.


As emoções que conseguirem passar pela fase da primavera nunca mais saíram de mim.
Estarão para sempre guardadas em meu peito e serão cuidadas com todo cuidado, mesmo que sejam emoções um tanto espinhosas, que não dêem frutos sempre.
Que eu só possa ficar a observá-las de longe, que nunca possa me aproximar dela novamente, e voltar a ter um novo verão, mesmo assim ainda será cuidada, pois para mim o que vale é que deixei esta emoção nascer em mim
e em mim deverá viver.

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