segunda-feira, 24 de março de 2014

Melodia noturna



No meio da noite calada,
Um som faz-se ouvir.
Toca uma doce balada,
Que é p’ro peito comprimir.

As notas vão dançando,
Ocupando todo o ar.
No olho desce rolando,
Uma gota de pensar.

Porque veio a mim?
Nota tão melodiosa.
Não vês que faz do sim,
Um não como resposta.

Poderia voar no vento,
Procurando outros ouvidos.
Mas chegou num momento,
Em que vivo tão aflito.

E no meio da noite cálida,
Ela entra pela janela.
Como lua, veio pálida,
Me  lembrando muito dela.

Me deixando morar na saudade,
De um tempo tão contido.
Melodia sem maldade,
És a causa do conflito.

E com o vento se vai,
Ocupando outro ser.
De minha mente não sai,
Estás presa por querer.

E fica rodando na mente,
Dançando como bailarina.
Enganando um par de gente,
Um pierrot e uma colombina.


Um comentário:

Um Certo Vestido Azul disse...

Tenho gostado dos poemas recentes, mas não posso concordar com esse tom de lamúria,
Afinal, o Amor, que foi, que é, só deve ser dançado e cantado, assim mesmo, feito o Pierrot e a Colombina!