sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A Chama





Assopro devagar,
As cinzas no peito deixadas.
Tentando ainda encontrar,
Um pouco da fogueira apagada.

Escondido entre restos,
De algumas emoções vividas.
Vou regendo feito maestro,
O fogo perdido da vida.

Sopro devagar,
Para não levantar poeira.
Deixando a vista enxergar,
Sem criar nova barreira.

E a brasa aos poucos se aquece,
Tentando de novo inflamar.
Lembrando do que não esquece,
Queimando o que tem de queimar.

Não me falta o prazer,
Mesmo sem poder sentir.
Se o amar não é por querer,
É melhor desistir.

A chama arde teimosa,
Querendo de novo apagar.
Esta chama é preciosa,
Tenho que a alimentar.

Se um dia ela me apaga,
Morro lento, devagar.
Só um anjo me afaga,
E me põe para sonhar.

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