sábado, 8 de novembro de 2014

Insônia






Madrugada fria,
A névoa a tudo cobre.
Falta tanto para um novo dia,
Mas meu sono não se resolve.

Um galo canta longe,
Um cão late uivando.
Na igreja um canto de monge,
Como se fosse acalanto.

Para os insones,
A noite custa a passar.
Os pensamentos não somem,
E ficam no céu a girar.

As cores ainda não vem,
Com o raiar o novo dia.
Forçando a vista se tem,
Só uma cor que é fria.

Debruçado na janela,
As vezes passa um carro.
Pareço até com aquela,
Namoradeira feita de barro.

A que os olhos tudo olha,
Mas que não pode contar.
Existe um mundo lá fora,
Mas não dá para confiar.

E sigo eu na calada,
Da noite fria de inverno.
Só mesmo algumas palavras,
Definem onde eu me encerro.

Um comentário:

brisonmattos disse...

Bonita poesia e apenas um comentário. Esse mesmo mundo lá fora que você diz que não dá pra confiar, tem gente sim especialista, competente e confiável , capaz de te curar dessa insônia.Cuide-se.