sábado, 21 de julho de 2012

Letras Frias




A tarde,
quem me faz companhia
são as letras,
nuas,
mudas,
e frias.
De um lado,
o dourado toma o céu para si,
Do outro,
o brilho branco anuncia
que é hora de parar.
Mas parar para que?
Para ir para casa?
Minha casa é meu peito,
ali como,
durmo,
me ajeito,
da maneira que der,
e como Deus quiser.
Alimento minhas fantasias,
Com as famosas letras frias.
Estas letras que tanto dizem,
em silencio absoluto,
sem esboçar reação,
só mostrando o absurdo.
Estas letras
que me levam,
do inferno, a prisão.
Do altar, a comoção.
Do amor, a aflição.
Uma série de caracteres,
emaranhados,
embaralhando,
assim como se embaralham cartas,
as tramas da vida.
As ditas letras frias.

2 comentários:

brisonmattos disse...

Você é fantastic!

Majoli disse...

Letras Frias é uma poesia forte, diz tanto de mim também...acho que de muitos.

Gostei de sua visita ao Rabiscos, obrigada.

Beijos com carinho.