quarta-feira, 21 de julho de 2010

Passarinho

Quero exclusividade
e não variedade.
Variedade é para quer aventura.
Aventura não traz candura,
só amargura
e desilusão nua.

Quero só o meu caminho seguir.
Estou mais para um só ninho.
Quero em estrada ensolarada ir,
Caminhando,
sem tantas pedras
encontrar no caminho.

Deixo para os jovens as aventuras.
De longe fico só olhando,
Lembrando dos tempos,
de fartura,
em que seguia como a bruma,
de tudo me cercando.

A ti dediquei mil coisas
Que deixaste espalhadas
pelo caminho.
Como migalhas no chão.
A serem comidas
por outros passarinhos.

De que adianta
sol, estrelas,
luas, poemas,
flores e risos.
Brigar contra o sistema.
Se a briga não é só isso.

Existe uma asa,
Que não quer se fechar.
Está acostumada a muitos vôos
E coisas novas encontrar.
Deste vício voador
Nunca vais se curar.

Passarinho não foi feito para gaiola.
Passarinho deve voar.
Se sentir livre na vida
o vento na cara a desejar.
Então voe passarinho
Busque um novo cantar.

Voa passarinho,
Voa sem parar.
Voa passarinho,
por onde a vida te levar.
Cuidado passarinho neste teu voar
Para uma pedra não te acertar.

Um comentário:

Sonhadora disse...

Meu querido amigo
Um poema, um grito de lamento.
Muito bom este poema.

beijinhos
Sonhadora