segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A falta que há.

O vazio, que já
ocupa tudo no ar
desvanece o que iria brotar.
As rosas, em meu jardim,
são de cimento.
Não eram,
ficaram com tanto tormento.
O corpo, coberto de terra,
não consegue se limpar.
O vento frio,
em uma manhã chuvosa
de segunda-feira,
é a única coisa que o toca.
Ouço o silêncio
de tudo a minha volta
por mais que procure barulhos,
ruídos de pessoas,
o silêncio permanece absoluto.
Estava mudo,
estou ficando surdo,
e não quero ficar cego
na falta que há.
Alguns gestos procuro fazer,
mas não há eco,
ou quando o há
eu já me fui,
cansado estou
de tanto esperar,
na borda do desfiladeiro,
o retorno do som.

4 comentários:

Luciana P. disse...

Os nossos vazios só podem ser preenchidos com o que desejamos de fato. Nada preenche um vazio que não seja exatamente aquilo que almejamos.
Talvez por isso, às vezes, preferimos o silêncio que fere ao barulho intenso de palavras e sons que não estamos a fim de ouvir.

Beijos, belo poema, hein!
Uma ótima semana pra ti!

Vera Costa disse...

Amigo querido, a falta que faz um pouco mais de tempo para agradar a quem amamos. Para dizer: ei, não te esqueci, você mora em meu coração. Mil beijos e o desejo de que façss versos cada vez mais lindos. Beijos

Simplesmente Outono disse...

Procurando algumas leituras de conteúdo pelos blogs e cá estou.
Gostei!
Gostei muito!
Gostei demais!
Gostei tanto que será inevitável não voltar. Por que perder de vista algo tão gostoso de ser lido? Ficamos combinados assim: volto sempre que puder para continuar lendo-te, tudo bem?
Folhas secas pelo teu chão.
Eu, Simplesmente Outono.

Deusa Odoyá disse...

Meu querido Older...
Seus versos são a pureza e o complemento de sua alma.
São lindos...
As suas palavras voam, sobre as nuvens dos sentidos no universo das emoções.
Tudo é muito simples, puro e iluminado.
adoro ler seus poemas.
Te dolo, meu amigo...

Beijinhos doces.
Regina Coeli.