sábado, 2 de outubro de 2010

Vestindo-me

Me visto com a noite,
em meu vestido de estrela.
Ninguém tem o pernoite,
só eu que posso tê-las.

Como nuvem vagueio,
com os pés sem onde pousar .
Só a lua é meu esteio,
neste sem rumo voar.

Mas vamos logo andar,
Andar e não ficar parado.
Deixar o muito gostar,
Ficar um pouco de lado.

Mágoa não levo comigo,
só um pouco de solidão.
Preservo o prazer amigo,
com carinho do coração

Foram tempos de felicidade,
E de muita alegria.
Mas, cedo ou tarde
Sempre acaba chegando este dia.

A ingratidão fica no alheio,
de mim ninguém sabe.
Eu tinha muito receio
que tudo isto se acabe

Mas o que irá acabar?
que já não se acabou.
É melhor parar e olhar,
esquecer o que passou.

Deito-me,
como se deita o sol ao fim da tarde.
Vesti-me de profundo abismo,
no peito tudo arde.

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