Tens um “eu” encravado na boca,
Que não te serve para nada.
Só para te deixar mais louca,
Nesta sua vida imaginada.
Mentes, só pelo mentir,
Imaginas o que não existe.
Deixas de realmente sentir,
O que tanto de bom que fiz-te.
Não sou nenhum anjo,
Mas demônio também não sou.
Nem tampouco esbanjo,
Aquilo que você ignorou.
Recolho meus pertences,
E o que foram deixados no chão.
Talvez você nem penses,
O que causou sua sofreguidão.
Agora a porta fecharei,
Para que eu não possa voltar.
A me sentir como um rei,
Em um mundo a naufragar.
Nada levo comigo,
Só eu mesmo me carrego.
A todo tempo me digo:
Ainda arrancarei o que tanto prezo.
Uma tonelada de pedras joguei,
Tentando em mim sufocar.
A quem não esquecerei,
Embora tenha de deixar.
Alma Perdida - Poema de Florbela Espanca
Há um dia
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