Do sol os raios não se compra,
E nem gotas de chuva.
Nem dos pássaros a sua pompa,
Compro sim uma sepultura.
Não pago pelo vento,
Que no rosto me bate.
Mas quero levar lamento,
Que aos poucos me abate.
Das flores vejo as cores,
E só posso imitá-las.
Da vida falo das dores,
Como se fosse aplacá-las.
Falo do que é simples,
Como se tudo fosse teu.
Sendo só mais um pedinte,
De um amor que não é meu.
Olho tudo a volta,
E quase não dou valor.
Como se a rotina da revolta,
Fizesse tudo mudar de cor.
Um abraço é de graça,
Assim como um pouco de atenção.
Mude sua vida, faça,
Agradeça em uma oração.
As simplicidades da vida,
É que nos conduzem adiante.
O caminho é só de ida,
Faça ele radiante.
O passado não mudará,
E nem deve ser esquecido.
Ele testemunhará,
Tudo que te tem ocorrido.
Levante a cabeça,
E olhe para o horizonte.
Mesmo que algo aconteça,
Cruze de vez a ponte.
Alma Perdida - Poema de Florbela Espanca
Há 15 horas
Já ultrapassei essa ponte faz tempo. Vivo uma outra realidade...nem pior, nem melhor...mas diferente. Parabéns pela poesia.
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