terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Desejos

Não quero o beijo teu,
Selado no meio da porta.
Nem quero tua mão fria,
Espalmada no canto da face.

Não quero o que tu me deu,
Guardado de forma amorfa.
Nem tanto a tua agonia,
Servindo só como impasse.

Não quero sentir o apogeu,
E não ter quem me conforta.
Nem quero viver a euforia,
Como se algo sempre faltasse.

Não quero morar em um breu,
e andar de maneira torta.
Nem quero a infinita magia,
Como se a realidade matasse.

Não quero ser camafeu,
Onde enfeitar é o que importa.
Nem ter forçada alforria,
Como sobra do desenlace.

Não quero ser um que morreu,
No teu ventre que abortas.
Nem quero eterna sangria,
Da saudade que mataste.

Um comentário:

Tatiana Moreira disse...

Saber o que não queremos mais... É o primeiro passo para buscarmos novos caminhos!

Um abraço carinhoso para você!