quinta-feira, 23 de maio de 2013

Um rio chamado saudade






Em um rio chamado saudade,
As suas margens eu sentei.
Estava cansado, era idade,
Disto eu já bem sei.

Era o sol se pondo,
De maneira preguiçosa.
Me dizendo, ora tonto,
Sai desta vida chorosa.

Olhei para suas águas.
Que corriam sem parar.
De maneira graciosa fala,
Meu exemplo é para ficar.

Não adianta bater,
Em uma pedra com carinho.
É melhor se contorcer,
E achar outro caminho.

Fiquei ali escutando,
O que me diziam as águas.
Tentando, só tentando,
Afogar as minhas mágoas.

Mais eram mágoas demais,
E o rio transbordaria.
Melhor deixar lá trás,
E seguir na cantoria.

A mim mesmo enganando,
De maneira silenciosa.
Fingir que não estou amando,
Uma pessoa preciosa.

Preciosa como diamante,
Lapidado por  mão de mestre.
Com um brilho radiante,
Mas só serve para quem se preste.

Como fortuna não possuo,
A não ser a que carrego.
Vou seguindo o infortúnio,
E a ti eu me entrego.

Um comentário:

brisonmattos disse...

Você talvez nem se dê conta do legado poético que está deixando.
Escreves com maestria e sensibilidade, e tem de ser muito cego pra não ver tanto talento. Parabéns!
Você ainda será " a poeta" do Brasil.