quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Para quando você ficar mais velha.


Para quando você ficar mais velha.


Há de chegar um dia, em que seus cabelos deixarão ter a cor do sol e se tornarão embranquecidos como a neve, sua pele não terá mais tanto viço e mostrará as marcas deixadas pelo tempo, cicatrizes do tudo que viveu de forma tão intensa.

E cansada do dia a dia, ao final de uma tarde, em seu canto preferido próximo de uma janela vais sentar.

Uma música tocará no ambiente para relaxar, uma guitarra espanhola que tanto gostas, e com este livro nas mãos, você irá ler e sonhar, para viver um outro mundo e não este que se apresenta a você, para esquecer parte deste  mundo que existe lá fora e olhar esta paisagem perdida dentro de você.

De forma suave seus olhos percorrerão as letras tão conhecidas, sabendo o caminho que fazer, como se fossem pássaros a voar para o ninho no fim da tarde.

Virá um sentimento de vazio, um sentimento de tudo o que conquistou ficou da porta para fora e que tudo que viveu, tão intensamente, ficou guardado somente dentro de seu coração.

Lembrará de seus anos de juventude e encantamento, de alegrias e amores, de viagens e sonhos, de realidades e fantasias, de travessuras e responsabilidades.

Lembrará de pessoas com quem conviveu e que repartiu partes de suas angustias e lembrará também de quem te amou, de quem tanto te amou de verdade.

De quem tanto amou não suas alegrias, mas suas tristezas, de quem tanto amou não sua beleza, mas seus encantos, de quem tanto amou esta sua alma peregrina e passeou contigo ao pé da montanha, lembrará de quem por um tempo você dividiu suas angustias e risos.

De quem tanto te amou no mais puro sentido que esta palavra pode ter, sem querer nada em troca, somente pelo fato de te amar, como você é, mesmo sabendo que esta estrada não teria um fim, te amou e escondeu seu rosto no meio da multidão para não ser percebido.

E olhando o sol que se deita no horizonte, pintado de ouro, por entre montanhas, sentirá saudade do amor que fugiu.

Uma saudade que não dói, mas que fica marcando o peito, como se pulsasse junto com o coração, como se já fizesse parte de seu corpo.

Uma lágrima teimará em escorrer lentamente, como forma de incompreensão da perda deste amor, e você viverá, em segundos, novamente, todo o esplendor e grandiosidade deste amor que teve e que o tempo não permitiu que ficasse ao seu lado fisicamente, mas que nunca deixará de estar ao seu lado na emoção do sentimento puro.

A vida continuará, como se nada disso tivesse acontecido um dia, mas amanhã, você se sentará, no mesmo lugar, na mesma tarde, olhando o mesmo sol, com o mesmo livro nas mãos, e viverá, de novo, este mesmo amor que nunca morrerá.


Um comentário:

brisonmattos disse...

sem livro algum na mão, desse amor lembrarei com mágoa... A mesma que insiste hoje não ir embora.