domingo, 27 de maio de 2012

Desaparecendo

Invento na noite um poema.
Vazio, como deve ser.
Falando sobre qualquer tema,
Desde que tenha você.

Meus olhos, em manto sagrado,
Duvidam de meu viver.
Não há mais nada a ser falado,
Depois de seu desaparecer.

Nas recordações da ausência,
Me deixo plantado em um canto.
Buscando onde está a essência,
De todo este desencanto.

No peito secaram as rosas,
As folhas o vento espalhou.
As pétalas que eram nossas,
Muitos pés já as pisou.

Juntando restos de ternura,
E abafando a imensidão.
Não tem nada mais dura,
Que a dor no coração.

As mãos tocam teu nome,
em uma moldura estampada.
A cada dia mais some,
O que tinha ali guardada.

Desaparecendo no ar,
Como se fosse fumaça.
Não há como gritar,
Enquanto houver a mordaça.


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