sábado, 18 de dezembro de 2010

Cais

Estou em um de um cais,
Ousado, que avança sobre o mar.
Escorado em longas pernas de pau,
Onde posso me sentar.

Olho, e vejo o seu fim,
Beirando o horizonte.
Onde junta céu e mar,
Onde talvez seja longe.

Vou caminhando,
Caminhando bem devagar.
Nas madeiras bem cortadas,
Que alguém as fez juntar.

Ao meu lado,
O mar bate nas pedras.
O barulho da batida
Até treme minhas pernas.

Mesmo assim sigo,
Quero no fim chegar.
Quero ver onde,
O fim deste cais vai dar.

Ao chegar,
no que penso ser o fim,
há uma praça a rodear,
me levando de onde vim.

Mas fico ali um tempo,
Observando a fúria do mar.
Ouvindo seu lamento,
Nas pedras a estourar.

Me lembro do tempo,
Em que cais não havia.
Onde só se lamentava,
Aquilo que não se vivia.

Hoje, lamento no cais,
O que aqui ocorreu.
O mar bate nas pedras,
E quem tem a dor sou eu.




Um comentário:

Valquíria Oliveira Calado disse...

Olá, vim deixar um carinho de amiga, com abraços de paz, beijos no teu coração.♥

Olavo Bilac

Natal


Jesus nasceu. Na abóbada infinita
Soam cânticos vivos de alegria;
E toda a vida universal palpita
Dentro daquela pobre estrebaria...

Não houve sedas, nem cetins, nem rendas
No berço humilde em que nasceu Jesus...
Mas os pobres trouxeram oferendas
Para quem tinha de morrer na cruz.

Sobre a palha, risonho, e iluminado
Pelo luar dos olhos de Maria,
Vede o Menino-Deus, que está cercado
Dos animais da pobre estrebaria.

Não nasceu entre pompas reluzentes;
Na humildade e na paz deste lugar,
Assim que abriu os olhos inocentes
Foi para os pobres seu primeiro olhar.

No entanto, os reis da terra, pecadores,
Seguindo a estrela que ao presepe os guia,
Vem cobrir de perfumes e de flores
O chão daquela pobre estrebaria.

Sobem hinos de amor ao céu profundo;
Homens, Jesus nasceu! Natal! Natal!
Sobre esta palha está quem salva o mundo,
Quem ama os fracos, quem perdoa o mal,

Natal! Natal! Em toda a natureza
Há sorrisos e cantos, neste dia...
Salve Deus da humildade e da pobreza
Nascido numa pobre estrebaria.

FELIZ NATAL!