Passa um barco a vela.
Que paisagem mais bela,
Vista da janela
daquela casa amarela.
Na ruela,
Da favela,
Parecendo aquarela,
Lá está ela.
Sentada, a sombra da capela,
Perdida nos devaneios dela,
Sonhado com a novela,
Com os pés na poída chinela.
Ao seu lado, a cadela,
tadinha, magricela,
fiel como sentinela,
Da só uma espiadela.
No rabo, uma abanadela.
A pata dá uma coçadela,
No que resta da costela,
Do pobre animal banguela.
Bem que a ruela, aquela,
Podia sofrer uma arrumadela.
E por uma bagatela
Viraria uma passarela.
Nós aqui não temos baixela,
Nem moramos em cidadela.
Isto aqui é uma cela,
Só nos resta a mazela.
Na planta que enfeita, uma molhadela.
De sobremesa, doce de banana com canela.
No cinto falta a fivela.
Esquece tudo; cancela.
Crianças correm....como gazelas.
A luz que temos....é a de vela
No céu as pipas voam....como caravelas
As casas se escoram umas nas outras....em uma encostadela.
Mas aqui seu moço, na viela,
Mesmo andando na pinguela,
A vista é muito bela.
Dá só uma olhadela.
Data Poema de Sophia de Mello Breyner Andressen
Há 16 horas
Older, dá uma espiadela na no hanukká, ficarei feliz com sua visita, abraços, gosto do q escreve.
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