Trôpego e cego pela rua,
Quem é este que vem?
Tateando onde anda,
Não enxerga nada além.
Vem andando quase louco,
Balbuciando sem parar.
Tem o tom já meio rouco,
Talvez de tanto gritar.
Seus braços mais nem se mexem,
Parece até um zumbi.
Dele todos se compadecem,
O conhecem desde guri.
Mas o que aconteceu,
Ao antes vigoroso rapaz.
Foi alguém que ele perdeu,
Ou alguém que não o quer mais.
Foi a mulher loura,
aquela dos olhos claros.
Estava meio que louca,
O deixou no desamparo.
Uns não entendem,
Por que de tal situação.
Afinal mulher loura,
Tem no mundo de montão.
Conversei com o rapaz,
Interrogando da situação.
Me disse então o beberraz,
No meio da confusão.
Minha vida acabou,
Não sei mais o que fazer.
O meu amor me deixou,
Eu agora quero morrer.
Tentei contornar,
esta idéia maldita.
Prá que se matar?
A vida é tão bonita.
Ele então nos meus olhos olhou,
E falou de uma só vez:
Senhor, o meu tempo passou,
Estou vivendo na viuvez.
Então entendi,
O motivo afinal.
O amor que eu perdi
Também me jogou no abissal.
Sem mais o que dizer,
Para resolver esta emoção.
Pedi para não se abater,
Já vivi desta abafação.
Isto custa a passar,
lhe disse eu.
Vamos para casa descansar,
Que sabe o amanhã serás de novo teu.
Ao me afastar,
De tão perdida criatura.
Pude em mim notar,
Ainda vivo da mesma penúria.
Data Poema de Sophia de Mello Breyner Andressen
Há 16 horas
Coitada dessa criatura gente!
ResponderExcluirFala com ele que isso só vai dar é dor de cabeça no dia seguinte, uai!