Trôpego e cego pela rua,
Quem é este que vem?
Tateando onde anda,
Não enxerga nada além.
Vem andando quase louco,
Balbuciando sem parar.
Tem o tom já meio rouco,
Talvez de tanto gritar.
Seus braços mais nem se mexem,
Parece até um zumbi.
Dele todos se compadecem,
O conhecem desde guri.
Mas o que aconteceu,
Ao antes vigoroso rapaz.
Foi alguém que ele perdeu,
Ou alguém que não o quer mais.
Foi a mulher loura,
aquela dos olhos claros.
Estava meio que louca,
O deixou no desamparo.
Uns não entendem,
Por que de tal situação.
Afinal mulher loura,
Tem no mundo de montão.
Conversei com o rapaz,
Interrogando da situação.
Me disse então o beberraz,
No meio da confusão.
Minha vida acabou,
Não sei mais o que fazer.
O meu amor me deixou,
Eu agora quero morrer.
Tentei contornar,
esta idéia maldita.
Prá que se matar?
A vida é tão bonita.
Ele então nos meus olhos olhou,
E falou de uma só vez:
Senhor, o meu tempo passou,
Estou vivendo na viuvez.
Então entendi,
O motivo afinal.
O amor que eu perdi
Também me jogou no abissal.
Sem mais o que dizer,
Para resolver esta emoção.
Pedi para não se abater,
Já vivi desta abafação.
Isto custa a passar,
lhe disse eu.
Vamos para casa descansar,
Que sabe o amanhã serás de novo teu.
Ao me afastar,
De tão perdida criatura.
Pude em mim notar,
Ainda vivo da mesma penúria.
Alma Perdida - Poema de Florbela Espanca
Há 23 horas
Coitada dessa criatura gente!
ResponderExcluirFala com ele que isso só vai dar é dor de cabeça no dia seguinte, uai!