sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O Bêbado

Trôpego e cego pela rua,
Quem é este que vem?
Tateando onde anda,
Não enxerga nada além.

Vem andando quase louco,
Balbuciando sem parar.
Tem o tom já meio rouco,
Talvez de tanto gritar.

Seus braços mais nem se mexem,
Parece até um zumbi.
Dele todos se compadecem,
O conhecem desde guri.

Mas o que aconteceu,
Ao antes vigoroso rapaz.
Foi alguém que ele perdeu,
Ou alguém que não o quer mais.

Foi a mulher loura,
aquela dos olhos claros.
Estava meio que louca,
O deixou no desamparo.

Uns não entendem,
Por que de tal situação.
Afinal mulher loura,
Tem no mundo de montão.

Conversei com o rapaz,
Interrogando da situação.
Me disse então o beberraz,
No meio da confusão.

Minha vida acabou,
Não sei mais o que fazer.
O meu amor me deixou,
Eu agora quero morrer.

Tentei contornar,
esta idéia maldita.
Prá que se matar?
A vida é tão bonita.

Ele então nos meus olhos olhou,
E falou de uma só vez:
Senhor, o meu tempo passou,
Estou vivendo na viuvez.

Então entendi,
O motivo afinal.
O amor que eu perdi
Também me jogou no abissal.

Sem mais o que dizer,
Para resolver esta emoção.
Pedi para não se abater,
Já vivi desta abafação.

Isto custa a passar,
lhe disse eu.
Vamos para casa descansar,
Que sabe o amanhã serás de novo teu.

Ao me afastar,
De tão perdida criatura.
Pude em mim notar,
Ainda vivo da mesma penúria.

Um comentário:

Renata Boechat disse...

Coitada dessa criatura gente!

Fala com ele que isso só vai dar é dor de cabeça no dia seguinte, uai!