Quando vou por minha estrada,
Nem de longe vejo o fim.
É onde deixo minha pegada,
Não tem ninguém além de mim.
Lá são sempre dois caminhos,
Que eu tenho de traçar.
Um, é onde caminho,
O outro, onde quero caminhar.
Ela é feita de poeira,
Que levanta com o vento.
Lá se faz muita asneira,
Lá se fica ao relento.
A lua brilha no chão,
Jogando beleza no que é feio.
Lá tem muito senão,
E uma chuva de anseio.
Este caminho é muito longo,
Muito ainda tenho de caminhar.
Tem muita árvore, muito tronco,
E umas flores também tem por lá.
Nas tardes tão douradas,
Para um pouco para descansar.
Sou só eu e mais nada,
Nesta estrada a caminhar.
As vezes alguém aparece,
Para nesta estrada caminhar.
Mas logo, logo, se entristece,
E busca outra estrada para andar.
Vejo todos irem longe
Meu andar é devagar.
Todo dia um novo horizonte,
Que tenho de desbravar.
Alma Perdida - Poema de Florbela Espanca
Há 20 horas
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