É tão bom poder voltar,
Para esta casa tão querida.
Poder de novo olhar,
Algo que se construiu na vida.
Na rede poder deitar,
E escutar os passarinhos.
Lá fora, que estão a cantar
Saudando meu retorno ao ninho.
O céu de um azul celeste,
Nem uma nuvem a manchar.
Aproveitar tudo que me reste,
Desde o mais simples que há.
Voltar para a rotina,
Por mais chata que seja.
Cuidar da benção divina,
Antes que algo se anteveja.
Nunca reparei naquela flor,
Incrustada no prédio ao lado.
Resiste a tudo que for,
Depois de já ter brotado.
Queria ser como ela,
Suportando as mudanças do vento.
Mas não agüento sacudidela,
Me desmancho com o tempo.
Levantar a cabeça,
E dar mais uma volta por cima.
Mesmo que de novo aconteça,
De quase de vez perder a rima.
Alma Perdida - Poema de Florbela Espanca
Há 22 horas
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