sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Tens

Você,
que vestiu minha alma de saudades.
Que me envolveu como o brilho da lua,
que envolve por igual aos bons e aos maus.
Tento te prender junto a mim,
mas é como prender água com rede de pesca,
sempre escapas.
Nesta minha amarga travessia,
junto de ti,
há doçura e beleza,
carinho e loucura.
Eu me vejo como pequena sombra ao teu lado,
caminhando junto,
junto com meus sonhos
e tua beleza.
Feliz de ser infeliz,
só por estar ao seu lado.
Feliz com a miséria
que poderia ser a glória.
Por, talvez, perder-te
ou poder te ter-te
é que vou falando,
lamentando
e cada vez mais
me lembrando de você.
Vivo do que não fomos,
do que perdura ,
e insiste em se fazer presente.
Somos dois ou um
e as vezes nenhum.
E logo depois tantos.
Sou como espuma,
de onde grande
que quebra com raiva na praia,
e que se deposita suave na areia,
na areia de uma praia de alucinações.
Minha lágrima caiu de teus olhos,
de dentro dos teus olhos,
choraste também a mágoa minha
e isto nos uniu mais e mais.
Minha tristeza
é não poder mostrar-te as nuvens brancas
e nem a lua cheia.
As flores brotando
e nem o pairar das gaivotas
poderei te mostrar.
Tens no rosto o sorriso que é meu
e que levaste,
o sorriso de uma alegria que não tive,
mas que botei em teu rosto.

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