quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Labirinto

Vou andando pela rua,
Olho rente ao chão.
Vou pisando meio firme,
Acompanhando a solidão.

Nem quero saber se chove,
Ou se o sol se fará.
O olho mal se move,
E o pensamento vive a voar.

Vôo longe,
Nem aqui estou mais.
Só o corpo se move,
A alma ficou lá trás.

Quase um morto-vivo,
Prestes a desabar.
A vida parece labirinto,
Difícil de se escapar.

E nestas valas negras,
Espero minotauro encontrar.
Para na luta derradeira,
O vencer ou me entregar.

Não conheço Ariadne e nem sou Teseu,
E nem tenho novelo a me guiar.
Somente tenho da vida o que ela me deu,
E com estas armas tenho de lutar.

Deste labirinto vou sair,
Disto podes ter certeza.
Muitas vezes ainda vou cair,
Mas levanto com ligeireza.

Vou chegar,
Ralado e sangrando.
O corpo vai festejar,
Mas a alma estará chorando.

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