domingo, 18 de setembro de 2011

Jejum

Jejua o saudoso poeta,
Dos tempos de imaginação.
Em que saciava a fome repleta,
Com palavras de emoção.

Na inanição do ser,
No oco da mente vazia.
Pode até não parecer,
Mas ele vivia de utopia.

E nos caminhos desencaminhados,
Conseguia sobreviver.
Com o corpo todo cortado,
Sangrava até quase morrer.

A alma se refazia,
Em tamanho sofrimento.
O coração não mais batia,
Se entregava ao lamento.

Enquanto um sofria,
O outro se alternava.
Ora um comia,
Ora outro chorava.

O tempo de seca chegou,
E chegou para ficar.
A terra fértil secou,
Nem lágrima tem para molhar.

Inverno em pleno verão,
Sufoco, falta de ar.
Que mundo mais louco
Em que fui me enfiar.

Alimentando-se do passado,
Jejua doce poeta.
Na vida tem fardos muito pesados,
a vida não é só balela.


Faça greve de fome,
Exponha todos os ossos.
Quem muito na vida consome,
Cai em profundo remorsos.

Um comentário:

Tatiana Moreira disse...

Caro Poeta...
Aqui de jejum não há nada... Presencio uma ceia farta!
Tenha uma semana abençoada!
Um abraço carinhoso