O que era gigante,
Agora aplacou.
Não é mais como era antes,
Coração esvaziou.
Tantas fizestes,
Distribuindo ingratidão.
Deixou-me a boreste,
No sentido da navegação.
E deste novo angular,
Outras vista alcancei.
Encontrei um outro mar,
E por ele naveguei.
Um mar de calmaria,
Um mar de exatidão.
Um mar sem muita magia,
Mas um mar sem preocupação.
Prefiro navegar a leve brisa,
Do que vento forte enfrentar.
A idade já não prioriza,
Tanta energia gastar.
O barco já está gasto,
De tantas tempestades combater.
Já não ando, me arrasto,
Tentando o rumo manter.
Só quero agora encontrar,
Um porto que me acolha.
Para poder ancorar,
E viver o resto da vida tola.
Quando lá chegar,
As cracas arrancarei.
Com o casco limpo, pintar
Achando que me renovei.
Velho barco navegante,
Já é hora de parar.
Desligar este motor roncante,
E parar de navegar.
Deixe a ferrugem comer,
O que resta da estrutura.
Nem adianta combater,
Aceite com ternura.
O fim é chegado,
Para todos nós um dia.
O tempo do barco é passado
E ele o viveu com alegria.
Alma Perdida - Poema de Florbela Espanca
Há 23 horas
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