quarta-feira, 27 de abril de 2011

Fuga

Um dia me fugiu o verso,
Fiquei meio que perdido.
A falta do verbo
Me deixa restringido.

Sem palavras para dizer
E sem inspiração a brotar.
Calei-me em meu querer,
Deixei o tempo passar.

O tempo passou
e o verbo não veio.
O olho molhou
e brotou muito anseio.

No deserto que ficou,
Nem um vento sopra mais.
Solidão foi o que restou
De um tempo que se fez atrás.

Na secura sobrevivo,
Como cactus espinhento.
Vou sendo ser cativo,
preso em meu próprio lamento.

E tudo que um dia vai,
Jamais irá voltar.
E sem os cabos de estai
Tudo vai desmoronar.

Afogado em desalentos,
Me deixo nas águas levar.
Não adianta lutar contra este tempo,
É melhor se aquietar.

Quem sabe o tempo muda
E o céu venha a se abrir.
O que for ruim, desgruda.
E só o bom, vai ressurgir.

Um comentário:

Anônimo disse...

http://www.youtube.com/watch?v=7zn6Q1He4j4&feature=player_embedded#at=25